Os rebeldes do M23, com apoio de Ruanda, sequestraram 130 pacientes em Goma, no leste do Congo, suspeitando que sejam soldados ou milicianos. Essa ação intensifica a crise humanitária na região, que já conta com mais de 7 mil mortos e meio milhão de desabrigados desde janeiro, enquanto o M23 continua a avançar, aumentando a insegurança local.
Na cidade de Goma, no leste do Congo, rebeldes do M23 sequestraram 130 homens doentes de hospitais, revelaram as Nações Unidas. Os pacientes, suspeitos de serem soldados ou membros de milícias pró-governo, foram levados durante a noite, levantando preocupações sobre a crescente violência na região.
Detalhes do Sequestro
Na madrugada da última sexta-feira, combatentes do grupo rebelde M23 realizaram uma operação em dois hospitais na cidade de Goma, no leste do Congo. A ação resultou no sequestro de 130 homens que estavam internados para tratamento médico. Segundo o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, esses homens são suspeitos de serem soldados da República Democrática do Congo ou integrantes de uma milícia chamada Wazalendo.
Os hospitais atacados foram o Hospital CBCA Ndosho, de onde foram levados 116 pacientes, e o Hospital Heal Africa, que teve 15 pacientes sequestrados. A porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, condenou a ação dos rebeldes, classificando-a como “profundamente angustiante” e pedindo a libertação imediata dos sequestrados.
Esses sequestros são parte de uma escalada de conflitos no oeste do Congo, onde o grupo M23, apoiado por Ruanda, tem ganhado força e territórios de forma preocupante. O silêncio dos porta-vozes do M23, Willy Ngoma e Lawrence Kanyuka Kingston, frente aos pedidos de comentário, agrava ainda mais a tensão na região.
Impacto Humanitário
O sequestro de 130 pacientes pelo grupo M23 não só agrava a crise no leste do Congo, mas também representa uma grave violação dos direitos humanos e uma ameaça ao já frágil sistema de saúde da região. Os hospitais despojados de sua capacidade de atender a população veem suas operações comprometidas, em um contexto onde a assistência médica é já escassa.
O medo e a insegurança resultantes da ação dos rebeldes também contribuem para o desespero das famílias dos sequestrados e para a instabilidade social. Muitas pessoas se encontram deslocadas e desabrigadas após o ataque a 90 campos de deslocados nos combates.
Pior ainda, de acordo com o governo congolês, mais de 7 mil pessoas perderam a vida desde janeiro devido aos conflitos intensificados pelo avanço do M23. Esse número alarmante revela um impacto humanitário devastador, colocando uma pressão sem precedentes sobre as organizações internacionais de ajuda humanitária que trabalham na região.
FAQ sobre a crise humanitária e o M23 no Congo
Quem são os rebeldes do M23?
O M23 é um grupo rebelde liderado por tutsis, conhecido por sua participação em conflitos armados no leste do Congo, buscando controle sobre territórios ricos em minerais.
Quantos pacientes foram sequestrados pelos rebeldes do M23?
Os rebeldes do M23 sequestraram um total de 130 pacientes de dois hospitais na cidade de Goma, no leste do Congo.
Qual foi o impacto humanitário do sequestro dos pacientes?
O sequestro resultou em uma grave violação dos direitos humanos, aumentando a insegurança e comprometendo o sistema de saúde local, além de agravar a crise humanitária na região.
Quais são as consequências do conflito do M23 no leste do Congo?
O conflito levou ao deslocamento de quase meio milhão de pessoas, a destruição de 90 campos de deslocados e a morte de mais de 7 mil pessoas desde janeiro.
Qual é a ligação entre o M23 e Ruanda?
Congo, especialistas da ONU e potências ocidentais acusam Ruanda de apoiar o grupo M23, enquanto Ruanda nega e alega defesa contra milícias hutu.
Quais ações são pedidos pela comunidade internacional?
A comunidade internacional pede a liberação imediata dos sequestrados, além de sanções e investigações para conter o avanço dos rebeldes.